Mário Henrique Simonsen – Uma entrevista especial.

Publicada originalmente na Revista BR – n. 144 – abril / 1978

Na entrevista, o Ministro fala sobre financiamento para o setor e sobre a operação de multinacionais do transporte modal no mercado brasileiro.

A confessada boa vontade do Ministro Mário Henrique Simonsen de examinar a questão do recolhimento na fonte do imposto de renda não se estendeu, entretanto, a outra questão igualmente problemática para o setor do transporte rodoviário de carga, que é o financiamento, em condições mais condizentes, para a renovação da frota, construção dos terminais de carga, ou mesmo para o giro dos seus negócios.

O ministro considerou a existência de linhas de crédito para o financiamento de veículos através da Finame, no caso de caminhões, e através da EBTU (Empresa Brasileira de Transporte Urbano), no caso dos transportes coletivos.

Em uma outra questão também importante – a participação de multinacionais no transporte modal no Brasil – ele fixou a orientação a ser seguida gelo seu Ministério. Nas decisões a serem tomadas pelo Cideti, o Ministério da Fazenda seguirá a posição adotada pelo Ministério dos Transportes. Todos esses pontos de vista constaram da sua entrevista exclusiva a esta revista, cujo teor é o seguinte:

br – Existe alguma tendência no Ministério da Fazenda para a modificação da atual sistemática de recolhimento do imposto de renda na fonte por parte das empresas transportadoras rodoviárias de carga?

Ministro – Eventualmente sim. Se houver pedido das empresas nesse sentido eu estou disposto a modificar.

br – Existe algum estudo já realizado a respeito?

Ministro – Estudo pronto, não.

br – Qual é, Ministro, a sua posição pessoal a respeito?

Ministro – Acho que o imposto recolhido na fonte é uma sistemática muito prática. Para modificá-la, eu precisaria receber um pleito nesse sentido dos empresários.

br – Como o Sr. sabe, essa é a única atividade empresarial ainda sujeita a essa sistemática tributária.

Ministro – E exatamente pela facilidade do recolhimento. Mas é um assunto que se pode discutir.

br – Os empresários do setor alegam inclusive a impossibilidade de beneficiarem-se na aplicação de recursos do imposto de renda nos incentivos fiscais, face a morosidade nas restituições dos totais recolhidos a mais na fonte. Procede essa alegação?

Ministro – Confesso que não sei se procede. Confesso que estou disposto a receber um memorial da classe com essas reivindicações, que eu ainda não recebi.

br – Quanto ao problema de financiamento para o setor, existe a possibilidade de criação de linhas de crédito especiais?

Ministro – Para caminhões. já existe financiamento Finame e. para ônibus. através da EBTU.

br – Mas, como o Sr. sabe, e os empresários alegam, esses financiamentos são extremamente desvantajosos para os que deles se utilizam.

Ministro – Isso acontece com todo mecanismo de tabela Price, quando o financiamento é a prazo longo.

br – Qual a posição do Ministério da Fazenda dentro do Cideti quanto à pretensão de multinacionais do transporte modal de- operarem no Brasil com containers de 35 pés, fora, portanto, das medidas usuais no País?

Ministro – Isso é um problema que não pertence ao Ministério da Fazenda, é de decisão do Ministério dos Transportes.

br – Exato, mas qual a posição do Ministério da Fazenda como integrante do Cideti?

Ministro – O Ministério da Fazenda seguirá o Ministério dos Transportes a esse respeito.


Acesse em nosso acervo a edição da Revista BR – abril de 1978 – N. 144: CLIQUE AQUI 

Acesse o recorte da entrevista em nosso acervo: CLIQUE AQUI.