O que são as ‘Travel Techs’ e como elas estão moldando o turismo brasileiro

Entenda como o comércio eletrônico e a inovação tecnológica transformaram o planejamento de viagens nas últimas duas décadas.

Nas últimas duas décadas, a tecnologia transformou profundamente a forma como as viagens são planejadas, vendidas e consumidas.

O turismo deixou de ser um mercado baseado em intermediações concentradas e informação escassa para se tornar um ecossistema que conecta o digital com o offline, mais aberto e competitivo.

No início dos anos 2000, viajar ainda era um privilégio. Em 2000, menos de 24 milhões de viagens aéreas domésticas foram realizadas no Brasil, segundo dados oficiais do setor.

A informação era limitada, a comparação de preços difícil e a tomada de decisão, restrita.

A chegada das primeiras travel techs ao país

Foi nesse contexto que houve a chegada das primeiras travel techs ao país. À época, “comprar uma passagem aérea pela internet parecia arriscado para muitos consumidores – e disruptivo para boa parte do mercado.” O que poucos percebiam é que não se tratava apenas de um novo canal de venda, mas de uma redistribuição estrutural de informação, escala e poder de escolha.

Hoje, os efeitos dessa mudança são evidentes. Em 2024 e 2025, o Brasil superou a marca de 100 milhões de passageiros em viagens aéreas domésticas, vivendo o melhor ciclo recente da aviação e do turismo nacional. Esse crescimento não é apenas quantitativo. Ele reflete um consumidor mais autônomo, informado e exigente, que planeja e decide suas viagens de forma digital.

O impacto das plataformas digitais no setor

Esse novo cenário também desmontou uma narrativa antiga: a de que a tecnologia fragilizaria o setor ao eliminar intermediários. O que ocorreu foi o oposto.

As plataformas digitais ampliaram a distribuição, diversificaram a oferta e incorporaram milhões de novos consumidores ao turismo.

Hoje, o Brasil conta com mais de 200 travel techs em atividade, segundo estudo da Onfly, atuando em áreas como transporte, hospedagem, acomodações, viagens corporativas, meios de pagamento, experiências, dados e inteligência de mercado.

Esse movimento acompanha uma transformação mais ampla do consumo. O comércio eletrônico registrou 33,9 bilhões de acessos nos últimos 12 meses, consolidando o ambiente digital como principal canal de decisão no país.

O turismo se mantém como um dos setores mais relevantes nesse ambiente, especialmente em períodos de alta temporada, demonstrando resiliência e capacidade de tração.

O crescimento do turismo na América Latina

Na América Latina, o cenário é semelhante. Em 2023, o mercado de turismo movimentou cerca de US$ 70 bilhões em reservas, com crescimento consistente dos canais digitais.

As projeções indicam que esse volume pode chegar a US$ 95 bilhões até 2027, de acordo com estudo da Phocuswright. O ponto central não é apenas o crescimento, mas a eficiência e a integração proporcionadas pela tecnologia.

Nesse contexto, espaços de diálogo estruturados tornam-se fundamentais. Não para defender interesses isolados, mas para qualificar o debate, reduzir assimetrias de informação e ajudar a construir soluções que acompanhem a realidade do mercado.

A experiência recente mostra que o turismo cresce quando a inovação é compreendida e incorporada, não quando é tratada como exceção.

O turismo brasileiro já deu provas disso. Ao se abrir ao novo, tornou-se mais acessível, mais diverso e mais conectado à realidade contemporânea.

As travel techs fazem parte dessa trajetória – e seguirão sendo essenciais para conectar pessoas, destinos e oportunidades.

 

Autoria: Jurema Monteiro *

Data: 24 de fevereiro de 2026

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(*) Coordenadora do Comitê de Travel Techs da Câmara Brasileira da Economia Digital