A supervisão nos transportes ferroviários

A indústria dos transportes representa, na época atual, um dos fatores de maior importância na vida econômica, social e política das nações.

Essa importância decorre, em grande parte, da complexidade que a execução das operações dos transportes apresenta, pois, mesmo considerando apenas o setor de atuação dos serviços ferroviários, surgem problemas cujas soluções só podem ser conseguidas à custa de uma inteira e intima cooperação de variados órgãos em trabalho convergente.

Os transportes ferroviários têm sua principal operação entregue à secção das empresas que faz a movimentação dos veículos e a circulação dos trens.

Tráfego e tração devem andar unidos em um só comando; mas, nada se obterá, de realmente proveitoso para os transportes, sem que ao lado do aparelhamento material de comprovada eficiência técnica esteja executando as operações, um pessoal consciente de seu dever.

A Central, para felicidade de seus Administradores, possui pessoal perfeitamente à altura da sua missão, faltando-lhe, contudo, uma melhor preparação geral que torne o trabalho ainda mais elevado e dê aos empregados conhecimentos técnicos e profissionais de nível educacional geral também mais alto.

Mas, como a renovação do aparelhamento material não tem acompanhado o aumento desproporcionado que se verifica na massa dos transportes, recaem nos serviços do Tráfego responsabilidades de maior vulto; a falta dessa adequada aparelhagem tem de ser suprida e somente pela boa orientação dos empregados é possível vencer, em parte, essa deficiência.

Assim, o controle dos serviços do Tráfego precisa dispor de modernas redes telefônicas de intercomunicações estacional e movimentação elétrica de sinalização e comando da circulação dos trens, o que dará a direção imediata dos serviços de Movimento e Tração uma maior elasticidade de ação e permitirá à Chefia do Tráfego exato conhecimento do encaminhamento das massas a transportar. Reconhecendo que muito tem sido feito nas nossas grandes empresas ferroviárias em prol de um melhor serviço do Tráfego, tanto em perfeita aparelhagem como em preparo do pessoal, julgamos, contudo, que a Central, apesar de já possuir em muitos trechos de sua extensa rede o que de melhor existe nesse sentido, ainda precisa ir mais para a frente.

A moderna aparelhagem elétrica de controle centralizado do Tráfego já em montagem, muito beneficiará o serviço de circulação dos trens, mas urge que se completem as providencias para instalação de uma perfeita rede telefónica ou radiotelefônica, que permita a distribuição dos carros e vagões com seguro e imediato conhecimento de suas posições relativas para com os Centros de comando, de modo que os elementos de tração tenham um máximo de aproveitamento.

A supervisão dos transportes na Central depende, pois, de duas providências que convergem, felizmente, para oportuna solução: aparelhamento do material e aperfeiçoamento profissional do pessoal.

Autoria: Erico De Lamare S. Paulo *

Data: março / 1942

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(*) Engenheiro; Chefe do Tráfego da Central do Brasil