Carlos Alberto Breda de Lima – Planejamento, organização e bastidores dos 70 anos do SETCESP
Publicada originalmente na Revista SETCESP edição especial 70 anos – 2006
SETENTA ANOS EM FOCO: Os preparativos para as comemorações dos 70 anos do SETCESP iniciaram-se com quanto tempo de antecedência?
Carlos Breda: Coincidentemente, todos os preparativos iniciaram-se no dia 26 de janeiro de 2005, data do 69° aniversário do SETCESP. Foi então exatamente um ano antes da programação prevista. Em todas as reuniões de Diretoria Executiva o assunto foi tratado. Todos os pormenores, todas as decisões foram tomadas em conjunto, e a participação da Executiva contou com o presidente Urubatan Helou, com o vice-presidente Francisco Pelúcio, com o tesoureiro Altamir Filadelfi Cabral, com o secretário- Geral Alexandre Duarte, comigo e com os colaboradores Ana Baldessin, Adauto Bentivegna Filho, Leonardo Andrade, Fernando Zerati e Simone Paulinelli. Essas pessoas, então, foram as que realmente planejaram todos os detalhes da festa.
SETENTA ANOS EM FOCO: As comemorações dividiram-se em três fases: a festa no dia 26 de janeiro, a festa no Clube Monte Libano e o Carnaval. Qual destas fases foi a mais trabalhosa?
Carlos Breda: Sem dúvida nenhuma a festa do dia 4 de fevereiro, no Clube Monte Libano, uma festa preparada para 1.800 pessoas em que todos os detalhes foram considerados pelos participantes, toda a equipe do SETCESP, todos os colaboradores e assessores foram envolvidos para que não houvesse falhas. E por se tratar de uma festa externa, fora aqui do SETCESP, no Clube Monte Libano, nós nos deslocamos várias vezes até lá para que todos os colaboradores soubessem muito bem o que fazer dentro de sua área de atuação.
No caso da festa do dia 26, que foi uma comemoração de menor porte, foi um evento muito prazeroso, mas o seu planejamento foi muito tranqüilo, pois foi feito dentro da casa. E no caso do Carnaval, nós já tínhamos uma certa experiência, pois em 2005 nós adquirimos duas alas e desfilamos, todos fantasiados, inclusive o presidente, para que pudéssemos entender toda a estrutura logística do Carnaval. Então, a participação no Carnaval foi bastante trabalhosa, mas com a experiência que tínhamos e com o empenho dos colaboradores nós conseguimos resolvê-la a contento.
SETENTA ANOS EM FOCO: No dia 26 de janeiro, o SETCESP preparou uma festa mais interna, na qual foi inaugurada a nova Comunicação Visual do prédio da entidade. Comente sobre esta novidade, que mudou o visual do edifício.
Carlos Breda: Este prédio em que estamos sediados está ocupado desde o ano de 1988 e havia uma identificação muito restrita que era feita por meio de um totem. Então, há muito tempo planejava-se colocar alguma coisa mais grandiosa, que realmente fosse um ponto de referência na região, já que o prédio já era uma referência para o bairro e seus arredores, sua própria arquitetura já chama a atenção. Mas não tínhamos a identificação exata, as pessoas não sabiam o que havia dentro deste prédio, ou o que ele representa. Assim, por meio de uma parceria entre o SETCESP, a FETCESP e a NTC&Logistica, resolvemos implementar, com um empenho bastante grande da Diretoria do SETCESP, esta comunicação visual. Ficou muito bem-feita e agora realmente atingiu o objetivo para que a população local e os que passam pela Dutra saibam o que este prédio significa. É uma comunicação visual muito rica, muito bonita, e principalmente por causa do relógio e do termômetro, todas as pessoas têm sua atenção voltada para a nossa sede.
SETENTA ANOS EM FOCO: Explique como surgiu a idéia de se fazer uma peça de teatro para homenagear os personagens que fizeram parte da história do SETCESP.
Carlos Breda: Eu fui procurado pelo Duglacy, diretor do SEST/ SENAT Carandiru, que fez uma proposta neste sentido. Havia um grupo de teatro que trabalhava para a unidade e ele, que por muito tempo trabalhou no SETCESP, cuidando da parte do Treinamento, que- ria ver se havia a possibilidade de se fazer uma apresentação com este grupo. Eu concordei, até fazendo segredo para a Diretoria, pois eu queria primeiro saber exatamente como isto poderia ser feito, e conversei com o diretor do grupo e com o Duglacy, que seria o produtor. Eles me passaram a idéia e o roteiro que haviam produzido. Eu alterei o roteiro em alguns pontos para adaptá-lo melhor ao conceito que eu entendia que poderia ser executado e comuniquei à Diretoria do Sindicato. Convoquei o Duglacy e o diretor da peça, Mário … para que eles apresentassem o projeto e a idéia foi muito bem recebida. Assim, procuramos fazer com que o próprio SETCESP, em forma de um personagem, contasse uma pequena parte de sua história, já que a duração da peça teria que ser de no máximo uma hora. Dentro deste tempo, então, resolvemos colocar algumas cenas que fossem mais bem-humoradas. Algumas histórias engraçadas que, com o tempo que temos de SETCESP, tínhamos acompanhado. E deu tudo certo. Foi muito bem-feita, foi uma peça tranqüila, dinâmica, e todo o público que a assistiu gostou. Eu só não sei se aqueles que foram representados e citados na peça gostaram, mas não houve reclamação.
SETENTA ANOS EM FOCO: Comente para nós sobre a escolha dos artistas que brilharam durante a festa do dia 04 de fevereiro, no Clube Monte Libano.
Carlos Breda: Como eu já havia dito, nós começamos a planejar esta festa com bastante antecedência. O primeiro problema surgido foi onde nós faríamos a festa. Fizemos algumas pesquisas, levantamos alguns locais, e inicialmente esta festa estava prevista para 1.200 pessoas. Consideramos, então, que o Clube Monte Líbano era um bom local. Visitamos o Clube e definimos onde seria o evento. Tínhamos então que decidir o que faríamos nesta festa, como ela seria. A primeira coisa que foi definida foi que haveria um show de humor. Por isso pensamos em alguns humoristas, fizemos alguns contatos e definimos o Sérgio Rabello. Depois, a parte mais difícil, foi exatamente definir qual show musical deveríamos apresentar para encerrar a festa. Foram várias reuniões, vários dias, vários meses discutindo isso. Pra você ter uma idéia, nós começamos a discutir isso em fevereiro de 2005 e só fomos definir mesmo três ou quatro meses depois. Vários artistas foram contatados e nós chegamos à conclusão de que o show da Jovem Guarda era algo que estava acontecendo, eles estavam comemorando 40 anos de carreira, e seria bom porque teríamos vários artistas, ao invés de apenas um. E o sucesso foi comprovado, pois a maior parte dos que compareceram à festa são pessoas que conviveram com a Jovem Guarda, o que trouxe muitas lembranças emotivas, vimos pessoas chorando, emocionadas na festa, por rever seus artistas. Esta foi a escolha mais acertada.
SETENTA ANOS EM FOCO: O Carnaval 2006 gerou grande repercussão do transporte na mídia. Você acha que este projeto atingiu seu objetivo? Conte um pouco sobre os bastido- res.
Carlos Breda: O objetivo foi totalmente atingido. Quando o presidente Urubatan Helou trouxe esta idéia, nós até estávamos um pouco apreensivos em ligar o Carnaval a uma entidade de classe. Mas, a partir do momento que recebi a de- terminação de realizar uma pesquisa com a Escola de Samba Unidos de Vila Maria, estudando sua história e sua atuação na comunidade, ficamos muito satisfeitos e percebemos que se tratava de uma instituição totalmente voltada para o social da comunidade. O primeiro passo, então, foi participarmos do Carnaval 2005, com a aquisição de duas alas, em que todos nós desfilamos para sentirmos na pele o que seria o Carnaval. A partir daí, nós voltamos totalmente para a Escola de Samba Unidos de Vila Maria. Tivemos um espaço na quadra, onde íamos para os ensaios, participamos da escolha do enredo e do samba-enredo, junto com o presidente Serginho, com o carnavalesco Wagner Santos e com o diretor de Harmonia Mercadoria e tivemos o conhecimento de tudo o que estava sendo feito. Ficamos bastante satisfeitos com isso. Os ensaios na quadra foram um sucesso, com uma média de participação de mais de 250 pessoas por ensaio, em nosso espaço e até 4.500 pessoas na quadra, fato que trouxe um retomo muito grande para os patrocinadores Mercedes-Benz. Apisul, Omnilink, Pamcary e SEST/SENAT, que tiveram seu nome destacado na quadra e em todos os locais em que o carnaval foi enaltecido. A logística do Carnaval propriamente dita foi bastante tranquila. Nós reunimos as cinco alas que foram adquiridas por associados mantenedores, diretores e funcionários do SETCESP, aqui mesmo no nosso prédio e fizemos uma logística em separado com a da Escola. Organizamos o transporte, a alimentação, vestiários para as pessoas colocarem a fantasia e entramos no comboio da Unidos de Vila Maria quando ele passou aqui em frente. Desembarcamos no Sambódromo e lá seguimos a operação da própria Escola. Não ganhamos, não fomos campeões, por um acidente, mas realmente o nosso objetivo foi alcançado com o recado para a população sobre o que é o transporte, sua história, o que significa, e os maiores problemas que enfrentamos no setor. Tivemos 61 minutos de cobertura da TV Globo, que efetivamente não tem preço. Se fôssemos pagar, jamais teríamos condições de arcar com este preço. Acreditamos que foi uma forma bastante bem-humorada e acertada de levar o transporte rodoviário de cargas para a opinião pública neste ano em que o SETCESP completa 70 anos de história.
SETENTA ANOS EM FOCO: O Livro SETCESP 70 anos, publicado pela entidade, traz a história do Sindicato ao longo de sete décadas. Como surgiu a idéia deste projeto, do qual você é o supervisor?
Carlos Breda: Este projeto também teve um aumento considerável em sua execução, pois inicialmente nós planejávamos fazer uma revista, com os assuntos relacionados ao setor e às comemorações dos 70 anos do SETCESP. A elaboração deste projeto foi entregue ao jornalista Leonardo Andrade, nosso coordenador de Comunicação e com a riqueza de detalhes que foram sendo levanta- dos, chegamos à conclusão de que era realmente viável que nós trans- formássemos a revista em um livro comemorativo. Contratamos uma assessoria especializada em produção e design gráfico e, com isso, nós pudemos incrementar em muito a obra. Para que todos tenham idéia, todos os textos publicados no livro foram elaborados pelo jornalista Leonardo e analisados e aprovados por todos os membros da Diretoria Executiva. Ou seja, todos os detalhes do livro, inclusive capa, fotos e patrocinadores, foram profundamente analisados pela Diretoria Executiva para que nós tivéssemos uma obra à altura dos 70 anos do SETCESP, a exemplo do que havia acontecido no 50° aniversário da entidade. Achamos que este também foi um gol de placa que conseguimos, pois temos um livro para toda a posteridade. Uma outra coisa que ficou bastante gravada na memória da Diretoria Executiva foi o troféu, que foi totalmente idealizado e elaborado pelo SETCESP e gerou uma premiação e uma homenagem muito bonita. O troféu é a capa do livro, seu design foi feito aqui dentro, e isto nos deixa muito orgulhosos.
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