Luís Antônio Tonin Filho – Modernizar para sobreviver e crescer
Publicada originalmente na revista Tecnologística Ano I – n° 02 – julho/agosto de 1995
O presidente da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados – ABAD, dá nesta entrevista à Tecnologística um panorama completo do setor, que investe e aposta na logística para fazer frente à concorrência estrangeira e ao novo perfil do mercado.
Fundada em 1981, a ABAD reúne hoje cerca de 850 empresas a nível nacional, representando um segmento que gera em torno de 300 mil empregos diretos e movimentou no último ano cerca de US$ 30 bilhões. Abastecendo mais de 600.000 pontos de vendas e frota de 22.000 caminhões, o setor é responsável por 60% das vendas de produtos industrializados de consumo básico no Brasil.
Tecnologística – Qual a posição da ABAD frente à abertura do mercado e à possibilidade de atacadistas e distribuidores estrangeiros atuarem no Brasil?
Tonin – Achamos este processo bastante saudável, pois além de mostrar novos caminhos nos ajudará muito no avanço tecnológico, já que trará desafios e uma maior necessidade de profissionalização. No Brasil, temos a característica de nos adaptar rapidamente, e entre nossas associadas não será diferente. As empresas brasileiras já vêm buscando troca de informações com outros países, e muitas delas estão prontas para enfrentar a concorrência estrangeira.
Tecnologística – O que se espera da atuação das empresas brasileiras no Mercosul?
Tonin – Este é um novo mercado que só trará fortalecimento às empresas, abrindo novas oportunidades de negócios, o que é muito positivo. Acredito que pelas características do mercado brasileiro, os nossos atacadistas e distribuidores terão grandes oportunidades nos países do Mercosul.
Tecnologística – Como a ABAD vê o momento atual? Qual a necessidade de investimentos para que suas associadas tomem-se mais competitivas?
Tonin – Estamos passando por um momento de ajuste no Plano Real, que determinará novos rumos para as empresas, fazendo com que cada uma
analise a fundo suas operações. Já o volume de investimentos depende de cada empresa, de sua posição no mercado, restrições operacionais, projeções, e do grau de tecnologia a ser empregado. Mas uma coisa é certa: a modernização é imperativa e aqueles que não se adaptarem às necessidades atuais vão perder competitividade e morrerão em seguida.
Tecnologística – Qual a importância da logística para o crescimento do setor?
Tonin – A logística tem assumido posição de destaque, porque nossa operação de movimentação é muito grande, e é crescente a necessidade dificuldades ainda de atendermos aos nossos clientes com maior rapidez. Temos também feito muito para reduzir os custos de distribuição, que são muito elevados. É aí que a logística tem nos ajudado.
Tecnologística – O setor tem investido em equipamentos de movimentação e armazenagem? Quais os principais problemas enfrentados com relação à área de logística?
Tonin – Temos investido muito na área de logística como um todo. A preocupação com os custos de movimentação, armazenagem e transporte é cada vez maior e isto nos leva a buscar alternativas através da automação e modernização. As principais empresas têm investido muito em informática, estruturas de armazenagem, novos depósitos, caminhões e isto demanda valores consideráveis. Só em caminhões, o setor investiu no ano passado US$ 55 milhões. A economia gerada por estes investimentos também depende de cada caso, mas posso afirmar que é sensível a redução de problemas e despesas em uma empresa onde a logística e informatização estão mais avançadas.
As principais enfrentadas são basicamente: custos elevados de equipamentos, assistência técnica deficitária na grande maioria dos casos e falta de soluções completas para a atividade que exercemos.
Tecnologística – Como se encontra a frota atual de veículos do setor?
Tonin – Ela é estimada em 22.000 caminhões – a maioria de pequeno e médio portes – e é bem mais nova que a média nacional. Isto porque as empresas do setor vêm crescendo bastante nos últimos anos e a constante renovação da frota permite uma idade média menor. Para se ter um exemplo, só no ano passado foram vendidos para o setor 1.500 caminhões VW, através de um pool organizado pela ABAD.
Tecnologística – Como funcionou este pool? Existem planos para se utilizar o mesmo esquema na aquisição de outros equipamentos?
Tonin – Primeiro, trabalhamos junto aos associados para levantar as necessidades reais de cada um. Depois, negociamos junto às montadoras as melhores condições e conseguimos fechar com a Volkswagen um contrato para 1.500 caminhões. A nossa intenção é ampliar este conceito de pool para outras áreas que apresentem necessidade e volumes compatíveis. Carros, pneus, empilhadeiras, paletes e porta-paletes são alguns equipamentos passíveis de ser adquiridos através deste sistema.
Tecnologística – Quais as sugestões da ABAD para as empresas fornecedoras de equipamentos e serviços?
Tonin – Acho que estas empresas devem buscar o constante aumento da qualidade de seus produtos e serviços, a inovação, através da utilização de tecnologia de ponta, e principalmente melhorar a assistência técnica e a responsabilidade do pós-venda.
Tecnologística – Como se encontra a informatização no setor?
Tonin – Ela está bastante adiantada e torna-se a cada dia mais importante porque, além de fornecer dados e informações para tomada de decisões, gera redução dos custos. A utilização do código de barras ainda é muito pequena, pois a maioria dos fornecedores não tem as caixas de embarque codificadas. Eliminada esta restrição, estaremos implementando a leitura ótica massivamente. No ano passado fechamos um contrato de fornecimento de software de roteirização para atacadistas e distribuidores, o “Trucks”, que foi implantado em 19 empresas.
Tecnologística – Para onde caminha o setor atacadista em termos de atendimento ao cliente?
Tonin – A busca pelo desenvolvimento do pequeno e médio varejo vai se intensificar e as empresas do setor estão preocupadas em aumentar os níveis de serviço prestado aos clientes, como redução nos prazos e confiabilidade na entrega, telemarketing, entre outros. Isto demonstra um amadurecimento do setor.
Tecnologística – Quais as principais realizações da ABAD durante sua gestão?
Tonin – A ABAD tem buscado a valorização da classe e o desenvolvimento das empresas atacadistas e distribuidoras. Dentro desta visão, organizamos cursos, palestras e debates com autoridades renomadas de várias áreas, realizamos nossa Convenção Anual, a feira do setor, que este ano foi em Foz do Iguaçu, no Paraná, além de viagens técnicas nacionais e internacionais.
Tudo isto visa a troca de experiências e informações, aprimorando cada vez mais o nível técnico de nossos associados e colaboradores, o que é objetivo da ABAD desde a sua fundação.
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