Rumo à retirada do dinheiro do ônibus

Um dos temas que tiveram grande repercussão no Congresso da NTU, em agosto deste ano em São Paulo, foi a maneira de completar a retirada do dinheiro como forma de pagamento de passagens nos transportes públicos.

Devido ao uso intensivo da Bilhetagem Eletrônica, atualmente, na maioria das cidades brasileiras entre 75% e 85% de usuários pagam suas passagens utilizando cartões. Entretanto, os 15% a 25% restantes que pagam em dinheiro representam cerca de 17% de todo o custo operacional da maioria das empresas de transportes públicos (vide planilha apresentada pela ANTP e NTU), além de ser o principal fator gerador de assaltos.

Esses 17% compreendem os custos com equipamentos, cobradores e pessoal disponível para o recebimento, controle e transporte do dinheiro recebido.

Atualmente, não existe nenhum impedimento tecnológico para que esses 25% de pagantes em dinheiro sejam reduzidos para menos de 5%.

E como fazer para diminuir os pagamentos em dinheiro dentro dos ônibus?

Duas ações são fundamentais para a concretização deste objetivo e devem ser perseguidas por todas as cidades:

  1. Aumentar a capilaridade dos sistemas de venda e distribuição de créditos eletrônicos, por meio de diversos canais possíveis de serem implementados, tais como: POS, ATMs, venda por internet ou via Apps e também os tradicionais postos de venda.
  1. Criar tarifas diferenciadas para quem paga com cartão e quem paga em dinheiro dentro dos ônibus. Esse fator é determinante. Acreditamos que a adoção de tarifas diferenciadas seja imprescindível para a redução do pagamento em dinheiro a bordo dos ônibus. Enquanto esta tarifação diferenciada não for implementada, os usuários que pagam em dinheiro a bordo dos ônibus não se sentirão motivados a efetuar a compra por outro canal de venda.

Com as duas ações citadas acima poderemos facilmente chegar a mais de 95% de pagamento automatizado, restando 5% ou menos para o pagamento em dinheiro dentro dos ônibus, uma proporção aceitável para ser efetuada ao condutor.

Estamos muito próximos de atingir este objetivo de retirar o dinheiro a bordo dos ônibus, o que levaria a uma redução significativa nos assaltos e também nos custos de arrecadação dos transportes públicos. Para concretizar tal situação precisamos apenas da conscientização dos empresários, dos gestores e dos políticos, sem a qual estes objetivos, necessários e desejados, não se viabilizarão.

Autoria: Marco Antonio Tonussi*

Data: 01/10/2017

Publicação Original: Revista Technibus, edição 131, Set-Out/2017 
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(*)Advogado, Diretor de Marketing e Mercado da Tacom e Presidente do Conselho de Administração da Valesul