The dark side of the moon – Cap. 2

I – O INÍCIO:  TEMPO X ESPAÇO

A maioria dos profissionais de Logística das últimas gerações entendem que sua técnica e ciência estão contidos num livro. Enganam-se!! Estão contidos numa biblioteca que acumula conhecimentos no mínimo desde quando ainda era conhecida como “Distribuição Física”.

Assim, no meu início profissional na General Motors nos EUA, nos anos 70, além da experiencia na área de Layout & Materials Handling, tive a chance de conhecer os autores acadêmicos da Engenharia Industrial que deram os fundamentos para a Logística Industrial, como Taylor e Mainard, que se aplicam até hoje.

II – TEMPO x ESPAÇO: A CIÊNCIA E A PRÁTICA

A expressão “Tempo x Espaço” usamos muito no início dos anos 80, inspirados nos grandes mestres do modelo Systematic Planning of Industrial Facilities (Richard Muther, Lee Hales, Knut Haganas).  teorias de então nós ensinávamos que “Intensidade de Fluxo e “Momento de Transporte” correlacionam que “um material ocupa certo espaço por unidade de tempo”.

O conceito científico “Tempo e Lugar”, clássico segue as leis de Newton e os conceitos de “Geometria Euclidiana” (Euclides, matemático grego de 300 anos A.C.). Mais simples de entender do que defendeu Einstein que além das 3 dimensões de espaço (x, y, z) introduziu a quarta dimensão (Tempo).

Ainda bem que para os estudos da Logística (por enquanto, até Elon Musk não colocar habitantes em Marte!) usamos modelos clássicos para Projetos de Fábricas, Centrais de Distribuição, Almoxarifados etc.

Aqui entram, portando, os conceitos e técnicas de Armazenagem e Movimentação de Materiais, que tem origem na ciência da engenharia industrial (o leitor deve ter estudado: “Métodos e Processos”, “Tempos e Movimentos”, etc. (pelo menos espero….)

Erra quem pensa que tecnologia resolve tudo! Elaborar layout com Autocad ajuda muito, mas não resolve isoladamente. Fazer análise de fluxos e análises de Origem/Destino com ferramentas é ótimo, mas não suficiente. Um bom projeto de layout está fundamentado em técnicas e ciência.

A prática permite os ajustes, as correções e principalmente adequação de processos, com novas exigências de mercado. Sempre analisando o fluxo completo onde houver armazenagem.

III – ESPAÇO & FORMA

Um fato curioso de natureza misteriosa: O Universo, ao mesmo tempo admirável e desafiador possui “3 zilhões de galáxias” com “quaquilhões de astros” todos em movimento circular (ou levemente elíptico). No que está “próximo” de nós, o sistema solar, todos os planetas são esféricos com movimentos em círculo (órbitas concêntricas).

Como nossa Logística aqui tratada com olhar de processo operacional “vamos esquecer” todas as formas que não tenham ângulo reto (preferencialmente).

Uai? O que é melhor, construir um CD quadrado ou retangular? (o leitor responde).

Caramba! Quantas docas de recebimento e expedição devo ter na operação? (o leitor responde).

Vamos adicionar também a Embalagem de Transporte (industrial ou de distribuição) pois ela é parte fundamental na relação das variáveis que já mencionei (veja figura ilustrativa).

IV – COMO AS DIMENSÕES NASCERAM?

Assim como um celular novo depois de uma semana já se tornou comum, a maioria dos profissionais da nova geração desconhecem por exemplo:

O que é densidade média aparente?
Por que no TRC se usa a referência de frete calculado na relação de 300 Kg/m³?
Então vamos conhecer a origem das medidas para estudos.
Certamente você já ouviu falar da “Lei da Balança” (Importante: no portal do CONTRAN você encontra toda legislação pertinente. Vai lá!).
De acordo com a legislação, das 3 dimensões de um caminhão, duas são fixas como medidas máximas: LARGURA e ALTURA (cumprimento varia de acordo com o tipo de veículo).
Altura máxima = 4,40m (do chão ao topo, devido obras viárias);
Largura máxima = 2,60m (devido sistemas de tráfego e trânsito).

Como essa largura é importante para nossas operações logísticas, veja como nasceu:

“As antigas estradas da Europa foram abertas pelo império romano com as bigas puxadas por 2 cavalos. A soma dos “traseiros” dos cavalos mais os arreios, tinham cerca de 1,50m e ao longo do tempo, já no final do Sec. 19 as carruagens do “velho oeste” foram ampliando as dimensões e logo em seguida os cavalos (que já eram 8 ou 10) deram lugar para os motores a combustão (aliás até hoje a medida de potência de um motor a combustão é “HP – Horse Power = Força do Cavalo”.

Resumindo, entre final do Sec. 19 com estradas para as carruagens e a evolução dos caminhões entre as duas guerras acabou gerando a legislação das dimensões.

Essa legislação foi a base fundamental para:

Dimensionamento das estradas e infraestrutura;
Dimensionamento de fábricas e depósitos (portas, pátios e raio de giro);
Otimização do uso da densidade média aparente com impactos positivos no dimensionamento de produtos e embalagens.

V – A LÓGICA DO COTIDIANO

Não se sabe precisamente quando o ser humano começou a pensar e raciocinar (inteligência evolutiva), mas sabemos que o nível da evolução da inteligência humana é exponencial. E tudo começa com a observação. Tudo!

Assim aconteceu com muitos elementos da Logística Moderna. E qual a importância disso atualmente? Gigantesca!

Mesmo no auge (pelo menos verbal) da digitalização e do uso do metaverso, nada acontece se não houver a exploração da inovação. Veja, falo da inovação e não da invenção, ok!?

A lógica da observação levou um empresário americano do setor de transporte rodoviário (sair de 1 para quase 2 mil caminhões) a ficar indignado com o tempo de carga e descarga nos navios (manual) com impacto direto na lucratividade decorrente da baixa produtividade. Resultado: vendeu a empresa (isso foi em 1955) comprou um navio, reformou e começou a fazer ensaios com os trailers (carretas) dos caminhões até chegar a um modelo resistente, empilhável, fácil de manusear e carregar nos caminhões e navios. Pronto! Nasceu o contêiner. O dele tinha 33’. A invenção prosperou até que em 1968 foi padronizado pela ISO os formatos conhecidos por 20’ e 40’. São muitas informações e recomendo buscar as especificações, NBR – ISO no portal da ABNT.

VI– LOGÍSTICA: ENTRE A TEORIA E A PRÁTICA, FIQUE COM AS DUAS

A comunicação pela internet tem mostrado grande quantidade de postagens abordando vários focos da Logística, mas, para mim, tem sido preocupante que a maioria não tenha fundamentos nem técnicas e nem ciência. São palpites com base apenas nas práticas muitas delas nem mesmo mencionam o autor (que simplesmente toma para si certos comentários de terceiros).

Não pode ser assim!

Como um médico, um advogado, o profissional que atua em Logística precisa estar atualizado com informações, estudos, novos conhecimentos. Não importa o nível da atividade.

Vamos a um caso real do memento: Você, leitor, como pode usar a relação da geometria (Tempo, Espaço, Forma) para encontrar uma solução para mitigar o impacto do aumento do frete devido elevação do preço do combustível?

LOGÍSTICA EXIGE SOLUÇÕES CRIATIVAS E INTELIGENTES.

Autoria: José Geraldo Vantine
Data: 31/03/2022
Publicação original: https://www.logweb.com.br/colunas/the-dark-side-of-the-moon-cap-2/

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(*) Fundador e presidente da Vantine Logistics & Supply Chain Consulting, tem histórico comprovado no setor de logística e cadeia de suprimentos. Possui habilidades em negociação, planejamento de negócios, gestão de operações, otimização da cadeia de suprimentos e planejamento de demanda. É considerado um dos pioneiros da logística no Brasil.